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Adeus ou até breve

23 de nov de 2014


Pensei, pensei e pensei um milhão de vezes antes de começar este post. Na realidade, tenho adiado a escrita dele há meses, pois tenho um problema muito forte em me desapegar de algumas coisas. Só que não adianta negar, em algum momento precisamos deixar ir. E neste domingo chuvoso criei coragem para me despedir.

Como dizer adeus, mas ao mesmo tempo não dizer? Ficou estranho isso, né?! O que eu quero dizer é que acho que está na hora de finalizar a existência do Rasgando o Verbo. Foi bom ter esse espaço, aprendi muita coisa por aqui e fiz algumas amizades virtuais por causa dele, porém, chegou o momento de fazer uma limpeza virtual do que é antigo, estagnado e me prepara para recomeçar em outro lugar.

Quando fiz esse espaço eu estava passando por um momento confuso, conturbado da minha vida profissional e pessoal. Não pude e não consegui me dedicar da forma como eu queria. E não acho que devo recomeçar aqui, mas ir para um espaço novo que vai me dar a chance de começar do zero.

Então, quem quiser me acompanhar vai encontrar publicações semanais de crônicas, textos e minhas (des)aventuras no www.nandaandrade.com e espero de coração encontrar vocês por lá. O novo blog não é muito parecido com o Rasgando o Verbo, talvez por que eu tenha mudado e já não seja tão parecida com a pessoa que iniciou este blog.

Para quem está curioso sobre o destino deste espaço, eu não vou me desfazer do domínio, pois ainda tenho planos futuros para ele. Mas mesmo assim em breve vou tirar ele do ar para deixar as publicações fechadas.

Então é isso. Adeus a este espaço ou até breve lá no blog novo...

Minha Utopia Solar

16 de set de 2014


Não lhe deixarei para depois
Você raia mais que milhares de sóis
Procurei teu brilho
A fim de iluminar aqui dentro
Minha infinita escuridão

Pensei que lhe afundaria
E lhe afogaria em escuridão
Assim como fiz com todos antes
Mas então, eu finalmente fiquei iluminado
Fiquei do jeito que sempre quis ser
Fiquei do melhor jeito que certo dia já tinha imaginado

Então agora, eu procuro você
O Sol se pôs
E voltei a estar com calafrios, e em plena penumbra
Gélido, morto do frio, a escuridão volta a me engolir
Será que irei resistir?

Meu coração grita devaneios
Grita teu nome e, grita por nós
Desejo mortal, de se sentir seguro e, confortável
Sempre pensei ser uma pessoa amável
Mas odeio a mim mesmo agora
Pois tão bom fui contigo, que sem ti, já nem sou mais eu.


Jonathan H. Flores é o mais novo colaborador do blog. E vai aparecer no Rasgando o Verbo com sua escrita em forma de poesia.

O dia em que parei de mandar minha filha andar logo

8 de set de 2014



Quando se está vivendo uma vida distraída, dispersa, cada minuto precisa ser contabilizado. Você sente que precisa estar cumprindo alguma tarefa da lista, olhando para uma tela, ou correndo para o próximo compromisso. E não importa de quantas maneiras você divide o seu tempo e atenção, não importa quantas obrigações você cumpra em modo multi-tarefa, nunca há tempo suficiente em um dia.

Essa foi minha vida por dois anos frenéticos. Meus pensamentos e ações foram controlados por notificações eletrônicas, toques de celular e uma agenda lotada. Cada fibra do meu sargento interior queria cumprir com o tempo de cada atividade marcada na minha agenda super-lotada, mas eu nunca conseguia estar à altura.

Sempre que minha filha fazia com que desviasse da minha agenda principal, eu pensava comigo mesmo: “Nós não temos tempo pra isso.”

Veja bem, seis anos atrás, eu fui abençoada com uma criança tranquila, sem preocupações, do tipo que para para cheirar flores.

Quando eu precisava sair de casa, ela estava levando seu doce tempo pegando uma bolsa e uma coroa brilhante.

Quando eu precisava estar em algum lugar há cinco minutos, ela insistia em colocar o cinto de segurança em seu bichinho de pelúcia.

Quando eu precisava pegar um almoço rápido num fast-food, ela parava para conversar com uma senhora que parecia com sua avó.

Quando eu tinha 30 minutos para caminhar, ela queria que eu parasse o carrinho e acariciasse todos os cachorros em nosso percurso.

Quando eu tinha uma agenda cheia que começava às 6h da manhã, ela me pedia para quebrar os ovos e mexê-los gentilmente.

Minha filha sem preocupações foi um presente para minha personalidade apressada e tarefeira – mas eu não pude perceber isso. Oh não, quando se vive uma vida dispersa, você tem uma visão em forma de túnel – sempre olhando para o próximo compromisso na agenda. E qualquer coisa que não possa ser tirada na lista é uma perda de tempo.

Sempre que minha filha fazia com que desviasse da minha agenda principal, eu pensava comigo mesmo: “Nós não temos tempo pra isso.” Consequentemente, as duas palavras que eu mais falava para minha pequena amante da vida eram: “anda logo”.

Eu começava minhas frases com isso: Anda logo, nós vamos nos atrasar.

Eu terminava frases com isso: Nós vamos perder tudo se você não andar logo.

Eu terminava meu dia com isso. Anda logo e e escove seus dentes. Anda logo e vai pra cama.

Ainda que as palavras “anda logo” fizessem pouco ou nada para aumentar a velocidade de minha filha, eu as dizia de qualquer maneira. Talvez até mais do que dizia “eu te amo”.

Anda logo!

A verdade machuca, mas a verdade cura… e me aproxima da mãe que quero ser.

Até que em um dia fatídico, as coisas mudaram. Eu havia acabada de pegar minha filha mais velha de sua escola e estávamos saindo do carro. Não indo rápido o suficiente para o seu gosto, minha filha mais velha disse para sua irmã pequena, “você é lenta”. E quando, após isso, ela cruzou seus braços e soltou um suspiro exasperado, eu me vi – e foi uma visão de embrulhar as tripas.

Eu fazia o bullying que empurrava e pressionava e apressava uma pequena criança que simplesmente queria aproveitar a vida.

Meus olhos foram abertos; eu vi com clareza o dano que minha existência apressada estava causando às minhas duas filhas.

Com a voz trêmula, olhei para os olhos da minha filha mais nova e disse: “Me desculpe por ficar fazendo você se apressar, andar logo. Eu amo que você, tome seu tempo e eu quero ser mais como você”.

Ambas me olharam surpresas com a minha dolorosa confissão, mas a face da mais nova sustentava o inequívoco brilho da aceitação e do reconhecimento.

“Eu prometo ser mais paciente daqui em diante”, disse enquanto abraçava minha filha de cabelos encaracolados. Ela estava radiante diante da promessa recém-descoberta de sua mãe.

Foi bem fácil banir o “anda logo” do meu vocabulário. O que não foi tão fácil foi adquirir a paciência para esperar pela minha vagarosa criança. Para nos ajudar a lidar com isso, eu comecei a lhe dar um pouco mais de tempo para se preparar se nós tivéssemos que ir a algum lugar. Algumas vezes, ainda assim, ainda nos atrasávamos. Foram tempos em que eu tive que reafirmar que eu estaria atrasada, nem que se fosse por alguns anos, se tanto, enquanto ela ainda é jovem.

Quando minha filha e eu saíamos para caminhar ou íamos até a loja, eu deixava que ela definisse o ritmo. Toda vez que ela parava para admirar algo, eu afastava os pensamentos de coisas do trabalho e simplesmente a observava as expressões de sua face que nunca havia visto antes. Estudava com o olhar as sardas em sua mão e o jeito que seus olhos se ondulavam e enrugavam quando ela sorria. Eu percebi que as pessoas respondiam quando ela parava para conversar. Eu reparei como ela encontrava insetos interessantes e flores bonitas. Ela é uma observadora, e eu rapidamente aprendi que os observadores do mundo são presentes raros e belos. Foi quando, finalmente, me dei conta de que ela era um presente para minha alma frenética.


Minha promessa de ir mais devagar foi feita há quase três anos e ao mesmo tempo eu comecei minha jornada de abrir mão das distrações diárias e agarrar o que importa na vida. E viver num ritmo mais devagar demanda um esforço concentrado. Minha filha mais nova é meu lembrete vivo do porquê eu preciso continuar tentando. E de fato, outro dia, ela me lembrou de novo.

Nós duas estávamos fazendo um passeio de bicicleta, indo para uma barraquinha de sorvetes enquanto ela estava de férias. Após comprar uma gostosura gelada para minha filha, ela sentou em uma mesa de piquenique e observou deliciada a torre gélida que tinha em suas mãos.

De repente, um olhar de preocupação atravessou seu rosto. “Devo me apressar, mamãe?”

Eu poderia ter chorado. Talvez as cicatrizes de uma vida apressada nunca desapareçam completamente, pensei, tristemente.

Enquanto minha filha olhava para mim esperando para saber se ela poderia fazer as coisas em seu ritmo, eu sabia que eu tinha uma escolha. Poderia continuar sentada ali melancolicamente lembrando o número de vezes que eu apressei minha filha através da vida… ou eu poderia celebrar o fato de que hoje estou tentando fazer as coisas de outra forma.

Eu escolhi viver o hoje.

“Você não precisa se apressar. Tome seu tempo”, eu disse gentilmente. Toda sua cara instantaneamente abrilhantou-se e seus ombros relaxaram.

E então ficamos sentadas, lado a lado, falando sobre coisas que crianças de 6 anos que tocam ukelele gostam de falar. Houve momentos em que ficamos em silêncio, sorrindo uma para a outra e admirando os sons e imagens ao nosso redor.

Eu imaginei que ela fosse comer todo o sorvete – mas quando ela chegou na última mordida, ela levantou uma colherada repleta de cristais de gelo e suco para mim. “Eu guardei a última mordida pra você, mamãe”, disse orgulhosa.

Enquanto aquela delícia gelada matava minha sede, eu percebi que consegui um negócio da China. Eu dei tempo para minha filha e em troca ela me deu sua última mordida de sorvete e me lembrou que as coisas tem um gosto mais doce e o amor vem mais dócil quando você para de correr apressada pela vida.

Seja comendo sorvete, pegando flores, apertando o cinto de bichinhos de pelúcia, quebrando ovos, encontrando conchinhas, observando joaninhas ou andando na calçada.

Nunca mais direi: “Não temos tempo pra isso”, pois é basicamente dizer que não se tem tempo para viver.

Tomar seu tempo, pausar para deleitar-se com as alegrias simples da vida é o único jeito de viver de verdade – acredite em mim, eu aprendi da especialista mundial na arte de viver feliz.
O texto acima foi publicado originalmente em inglês no blog “Hands free mama” e é de autoria de Rachel Macy Stafford, uma professora de educação especial. A tradução para o português foi feita pela equipe doPortal Aprendiz. Clique aqui para ler o texto original no inglês.

Resenha: A Meninda que Roubava Livros

5 de set de 2014

Autor: Markus Zusak
I.S.B.N.: 9788580574517

Tradutor: Vera Ribeiro
Ano: 2005
Páginas: 480
Editora: Intrínseca
Sinopse: Entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a morte três vezes. E saiu suficientemente viva das três ocasiões para que a própria, de tão impressionada, decidisse nos contar sua história, em 'A menina que roubava livros'. Desde o início da vida de Liesel na rua Himmel, numa área pobre de Molching, cidade próxima a Munique, ela precisou achar formas de se convencer do sentido de sua existência. Horas depois de ver seu irmão morrer no colo da mãe, a menina foi largada para sempre aos cuidados de Hans e Rosa Hubermann, um pintor desempregado e uma dona-de-casa rabugenta. Ao entrar na nova casa, trazia escondido na mala um livro, “O manual do coveiro”. Foi o primeiro dos vários livros que Liesel roubaria ao longo dos quatro anos seguintes. E foram esses livros que nortearam a vida de Liesel naquele tempo, quando a Alemanha era transformada diariamente pela guerra, dando trabalho dobrado à Morte. O gosto de roubá-los deu à menina uma alcunha e uma ocupação; a sede de conhecimento deu-lhe um propósito. E as palavras que Liesel encontrou em suas páginas e destacou delas seriam mais tarde aplicadas ao contexto da sua própria vida, sempre com a assistência de Hans, acordeonista amador e amável, e Max Vanderburg, o judeu do porão, o amigo quase invisível de quem ela prometera jamais falar.
A primeira vez que eu li a história desta pequena ladra foi em meados de 2011. Eu não sei ao certo dizer o que exatamente me chamou a atenção: se a capa tão simples e bela, que capturou meu olhar sem qualquer esforço, ou se a simples na parte de trás. “Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler”. Se a capa e essa informação adicional (o fato de ser narrado, supostamente, pela Morte) já haviam me conquistado, posso dizer que nada, em absoluta certeza, me deixou mais imersa em um universo tão concreto e real do que a história. É difícil falar de um livro que conquista você, especialmente para uma resenha - é difícil ser imparcial e se esquecer do sentimento em meio a bombardeios, furtos, aula com um homem de bondosos olhos prateados e algumas surras. Além, claro, da presença onipresente de uma querida narradora que nem de longe é o monstro que achamos ser.



Falar d’A Menina que Roubava Livros sem citar o quão profundo o livro demonstra ser é uma tarefa árdua. Somos apresentados a um contexto totalmente real: que sabemos e temos plena consciência ter acontecido, ter matado milhões e ainda por cima revelar que, de certa forma, ainda há uma esperança para a humanidade. Liesel é uma menina comum, não tem nada de especial… A primeira vista. Ela vai conquistar você, caso permita isso. Ela vai aproximar-se com timidez, e logo você vai se considerar um amigo muito chegado. Liesel Meminger em momento algum demonstra ser um daqueles personagens chatos e fracos, muito pelo contrário. Ela demonstra ter uma personalidade muito forte e inteligente. Corajosa como poucos, Liesel faz com que nos sintamos totalmente cativados por ela. O ponto mais interessante a meu ver é que, mesmo como a história narre a vida de Liesel, os demais personagens vão surgindo e tomando uma dimensão na história, e esse processo é tão natural que nós simplesmente os abraçamos como se fossemos velhos amigos.



Os personagens… Como não citar o bondoso papai de Liesel, com seus olhos de prata líquida? Ou a mãe adotiva da menina, que mesmo sendo bruta e muitas vezes “maldosa” se mostra tão humana e dotada de compaixão e amor imensos? Ou Rudy. Ah, Rudy Steiner certamente tem um papel muito importante como comparsa de Liesel, mas não apenas isso. Encontramos também um judeu, ao qual (também) nos apegamos e nos apaixonamos, torcendo para que ele consiga realmente ter sucesso em sua tarefa de se esconder e fugir. A mulher do prefeito, também, cumpre seu papel com extremo louvor, e posso dizer que mesmo os secundários parecem possuir algo a oferecer. A Morte então… Nos sentimos totalmente próximos a ela, como um verdadeiro amigo, e algumas vezes até a acompanhamos em sua tarefa de recolher almas.

Markus Zusak utilizou muito bem o cenário da Segunda Guerra Mundial, e todas as situações que, em especial, são narrados pela Morte, possuem uma dimensão de profundidade e fazem você refletir, pensar em algumas coisas. É um livro dotado de sentimentos. A escrita é gostosa de ler, não tem nenhuma dificuldade, e mesmo com quase 500 páginas, devorá-lo é especialmente fácil e interessante. Prende o leitor, captura a atenção sem que sequer questionar se permitimos isso. Não pensem também que o enredo trata de uma história de amor legal e bonitinha, como um conto de fadas. Não. O enredo surpreende e te deixa abismado. Um dos pontos mais positivos que encontrei nesta obra foi justamente o cuidado para não deixarem transparecer o que ocorria. Mesmo na sinopse no livro, você simplesmente não sabe o que vai ocorrer, e essa é sem dúvidas a melhor das sensações porque, quando ocorre… Você está focado naquilo.


 
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