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Resenha: A Meninda que Roubava Livros

5 de set de 2014

Autor: Markus Zusak
I.S.B.N.: 9788580574517

Tradutor: Vera Ribeiro
Ano: 2005
Páginas: 480
Editora: Intrínseca
Sinopse: Entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a morte três vezes. E saiu suficientemente viva das três ocasiões para que a própria, de tão impressionada, decidisse nos contar sua história, em 'A menina que roubava livros'. Desde o início da vida de Liesel na rua Himmel, numa área pobre de Molching, cidade próxima a Munique, ela precisou achar formas de se convencer do sentido de sua existência. Horas depois de ver seu irmão morrer no colo da mãe, a menina foi largada para sempre aos cuidados de Hans e Rosa Hubermann, um pintor desempregado e uma dona-de-casa rabugenta. Ao entrar na nova casa, trazia escondido na mala um livro, “O manual do coveiro”. Foi o primeiro dos vários livros que Liesel roubaria ao longo dos quatro anos seguintes. E foram esses livros que nortearam a vida de Liesel naquele tempo, quando a Alemanha era transformada diariamente pela guerra, dando trabalho dobrado à Morte. O gosto de roubá-los deu à menina uma alcunha e uma ocupação; a sede de conhecimento deu-lhe um propósito. E as palavras que Liesel encontrou em suas páginas e destacou delas seriam mais tarde aplicadas ao contexto da sua própria vida, sempre com a assistência de Hans, acordeonista amador e amável, e Max Vanderburg, o judeu do porão, o amigo quase invisível de quem ela prometera jamais falar.
A primeira vez que eu li a história desta pequena ladra foi em meados de 2011. Eu não sei ao certo dizer o que exatamente me chamou a atenção: se a capa tão simples e bela, que capturou meu olhar sem qualquer esforço, ou se a simples na parte de trás. “Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler”. Se a capa e essa informação adicional (o fato de ser narrado, supostamente, pela Morte) já haviam me conquistado, posso dizer que nada, em absoluta certeza, me deixou mais imersa em um universo tão concreto e real do que a história. É difícil falar de um livro que conquista você, especialmente para uma resenha - é difícil ser imparcial e se esquecer do sentimento em meio a bombardeios, furtos, aula com um homem de bondosos olhos prateados e algumas surras. Além, claro, da presença onipresente de uma querida narradora que nem de longe é o monstro que achamos ser.



Falar d’A Menina que Roubava Livros sem citar o quão profundo o livro demonstra ser é uma tarefa árdua. Somos apresentados a um contexto totalmente real: que sabemos e temos plena consciência ter acontecido, ter matado milhões e ainda por cima revelar que, de certa forma, ainda há uma esperança para a humanidade. Liesel é uma menina comum, não tem nada de especial… A primeira vista. Ela vai conquistar você, caso permita isso. Ela vai aproximar-se com timidez, e logo você vai se considerar um amigo muito chegado. Liesel Meminger em momento algum demonstra ser um daqueles personagens chatos e fracos, muito pelo contrário. Ela demonstra ter uma personalidade muito forte e inteligente. Corajosa como poucos, Liesel faz com que nos sintamos totalmente cativados por ela. O ponto mais interessante a meu ver é que, mesmo como a história narre a vida de Liesel, os demais personagens vão surgindo e tomando uma dimensão na história, e esse processo é tão natural que nós simplesmente os abraçamos como se fossemos velhos amigos.



Os personagens… Como não citar o bondoso papai de Liesel, com seus olhos de prata líquida? Ou a mãe adotiva da menina, que mesmo sendo bruta e muitas vezes “maldosa” se mostra tão humana e dotada de compaixão e amor imensos? Ou Rudy. Ah, Rudy Steiner certamente tem um papel muito importante como comparsa de Liesel, mas não apenas isso. Encontramos também um judeu, ao qual (também) nos apegamos e nos apaixonamos, torcendo para que ele consiga realmente ter sucesso em sua tarefa de se esconder e fugir. A mulher do prefeito, também, cumpre seu papel com extremo louvor, e posso dizer que mesmo os secundários parecem possuir algo a oferecer. A Morte então… Nos sentimos totalmente próximos a ela, como um verdadeiro amigo, e algumas vezes até a acompanhamos em sua tarefa de recolher almas.

Markus Zusak utilizou muito bem o cenário da Segunda Guerra Mundial, e todas as situações que, em especial, são narrados pela Morte, possuem uma dimensão de profundidade e fazem você refletir, pensar em algumas coisas. É um livro dotado de sentimentos. A escrita é gostosa de ler, não tem nenhuma dificuldade, e mesmo com quase 500 páginas, devorá-lo é especialmente fácil e interessante. Prende o leitor, captura a atenção sem que sequer questionar se permitimos isso. Não pensem também que o enredo trata de uma história de amor legal e bonitinha, como um conto de fadas. Não. O enredo surpreende e te deixa abismado. Um dos pontos mais positivos que encontrei nesta obra foi justamente o cuidado para não deixarem transparecer o que ocorria. Mesmo na sinopse no livro, você simplesmente não sabe o que vai ocorrer, e essa é sem dúvidas a melhor das sensações porque, quando ocorre… Você está focado naquilo.


 

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